Treinamentos

Genética, um fator limitante

A maioria dos corredores que se ingressam no mundo da corrida tem um sonho, que é ganhar a São Silvestre. Mas qualquer atleta que seja dedicado e fiel aos treinos podem ganhar uma São Silvestre? infelizmente não.

Não basta somente vontade e sim diversos fatores que levam a isso, um deles e o mais importante é a genética, ou seja, o atleta já nasce pronto para ser um campeão e o treinamento servirá para desenvolver toda a sua potencialidades, outros fatores seriam a alimentação e o repouso.

Muitos dos meus atletas, me perguntam quando vou ganhar a São Silvestre e é uma situação muito delicada, pois muitos que começam a correr, tem essa meta e nós treinadores sabemos através de nossas experiências, até aonde o atleta poderá chegar. E devemos ser realista com o atleta que estão começando para ele não se frustrar no futuro, esclarecendo que com o treinamento estará melhorando e ter como meta sua auto superação, procurando superar sempre suas próprias marcas como objetivo, jamais dizer a ele que com treinamento ganhará a São Silvestre, mesmo que em dia isso possa ocorrer. Para evitar uma expectativa grande seguida de frustração.

No caso do nosso bicampeão da São Silvestre o José João da Silva, se tratava de um atleta geneticamente feito para ser campeão só precisando desenvolver toda a sua potencialidade, e teve a sorte de ser encontrado pelo colega Carlão, um técnico muito experiente e um dos melhores técnicos que o Brasil já teve em se tratando de corridas de longa distâncias. Naquela época ninguém dava fé, mas pela sua experiência, ele sabia que tinha um atleta em potencial e logo na primeira São Silvestre em 1976 foi 65º lugar e 4 anos mais tarde ganhou a 1ª São Silvestre.

Por isso vale muito a sensibilidade e experiência do treinador. Não basta ter potencial se o atleta não for desenvolvido.

Mas porque a genética é um fator limitante?

As nossas fibras musculares tanto podem fazer um trabalho aeróbico como anaeróbico, entretanto cada fibra é mais especializada para realizar um tipo de trabalho. Tudo depende principalmente da quantidade de mioglobina que existe em cada fibra, porque essa proteína muscular que se fixa o oxigênio, portanto, uma fibra com muita mioglobina tem mais oxigênio e mais especializada no trabalho aeróbico. Ela é chamada de fibra vermelha ou fibra de contração lenta , tendo um maior tempo de relaxamento e resistindo mais á fadiga.

Outras fibras tem baixa taxa de mioglobina, fixando pouco oxigênio e são especializadas em trabalhos curtos e fortes, os chamados anaeróbicos. São chamadas fibras brancas ou fibras de contração rápida tendo um rápido tempo de relaxamento e entrando em fadiga precocemente. Cada músculo tem uma mistura desses dois tipos de fibras. A predominância de um ou o outro vai determinar a capacidade de realizar melhor exercícios aeróbico ou anaeróbico. Admite-se que a maioria dos indivíduos de raça negra tem predomínio de fibras brancas e portanto mais aptidão para provas de força e velocidade.

Atletismo por exemplo, os velocistas apresentam de 70% de fibras brancas. Já os maratonistas possuem 80% de fibras vermelhas. Como essa constatação é genética, conclui-se que uma pessoa ou nasce veloz ou nasce com pouca velocidade. E através de treinamento estaremos melhorando a qualidade funcional da fibra.


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