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Três estados, três provas diferentes
12/10/2005

Três estados, três provas diferentes

Por Paulo Motta Oliveira ( nosso atleta viajante)


Nem só da de corridas como a Volta da Pampulha, a maratona de Curitiba ou a meia do Rio são feitos os calendários de corrida de nossos estados vizinhos. Nos últimos três finas de semana pude participar de provas diferentes, em Minas, Paraná e Rio.

Há muito que estava querendo me inscrever em uma corrida de montanha. Como estou treinando para a Praias & Trilhas, o que vem exigindo longos e lentos treinos nos fins de semana, fiquei muito satisfeito quando descobri que em Extrema, no sul de Minas, iria ocorrer a segunda etapa do Circuito de Corridas de Montanha, no dia 24 de setembro. Era uma meia, mas bastante original: os seus 21 Km seriam corridos à noite, a partir das 18 horas, e o percurso possuía, no total, mais de 900m de desnível! Perfeito, pensei. Adianto meu longão para sexta, e no sábado completo com a meia. Vou poder até descansar no domingo. O melhor é que ainda ocorreria uma caminhada de 6 km, que minha esposa, a Fátima, que não corre, poderia fazer.
Inscrição realizada, fui atrás de uma lanterna de cabeça. Acabei encontrando uma, relativamente leve, não muito cara. Equipado de lanterna e tênis para trilha, sempre acompanhado de minha inefável mochila com o equipamento que precisarei para a prova em Floripa, fiz dois treinos leves para me habituar com toda a parafernália. Na sexta à tarde, debaixo do sol, fiquei rodando na USP. No fim de 30 Km, em três horas e meia (não adianta, sou lento mesmo, e mais ainda nesta época do ano), estava pronto para a prova noturna no dia seguinte..
No sábado, quase às cinco, chegamos a Extrema. Na praça principal da cidade peguei meu número, o kit, que incluía uma camiseta de manga comprida bastante legal, e minha mulher descobriu que ela era uma das três pessoas que haviam se inscrito para a caminhada. Felizmente alguém da organização iria com os caminhantes, que seriam deslocados de carro até o quilômetro 3.
Para a corrida, éramos certa de 140 inscritos. Alguns iriam fazer toda a prova, outros participavam do revezamento. Às seis horas, ainda não totalmente escuro, foi dada a largada. E lá fomos nós, descendo, descendo, pelas ruas da cidade. Cerca de um quilômetro depois, começou a subida. E não parou mais. Estrada de barro, extremamente íngreme. Alguns começaram a caminhar, enquanto eu seguia no meu trote leve. Passaram o segundo e o terceiro quilômetros. E chegamos às trilhas. E era trilha mesmo, no meio do mato, com leds piscando para indicar o caminho. Andar já era difícil, correr, pelo menos para mim, totalmente impossível. Na maior parte do tempo fiquei sozinho, vendo só luzes esporádicas na frente ou atrás, ou ouvindo alguma conversa distante. É uma experiência fantástica. No meio da noite, com uma lanterna na cabeça, uma mochila nas costas, andando em busca daquelas lusinhas azuis que marcavam o caminho. E ainda achar tudo divertido. Corredor é louco mesmo. Felizmente, seguindo o conselho dos organizadores, estava correndo com um calção comprido, e não tive problemas com os capins-gordura e outros vegetais assassinos. Foi aí que lembrei que haviam dito para a Fátima que a caminhada iria começar no terceiro quilômetro. Escolheram justamente a parte mais dark do percurso para os caminhantes!
Quando passei pelo km 6, já havia gasto mais de uma hora. Se o trajeto todo fosse assim, pensei, não iria completar no tempo limite, que era de cinco horas. A trilha continuava. Em alguns pontos pude ver a cidade em baixo, toda iluminada. Realmente muito bonito. Com cerca de duas horas e meia, cheguei no Km 9. Aí tudo melhorou: o restante da prova era por estradas de terra, na maior parte das vezes descendo, algumas subindo. Silêncio, escuridão, e a luz da lanterna iluminando precariamente o caminho à frente. Algumas vezes passava um carro ou uma moto, e levantava a maior poeira. Fui seguindo, controlando o ritmo para não cair morto antes do final. Sabia que, quando chegasse ao entorno da cidade, iniciaria uma subida sem fim até a praça principal, onde estava a chegada. Mas agora já era tudo festa, afinal conseguiria terminar antes do tempo limite. Com 4:07:04 cruzei a linha de chegada. Ainda tive forças para ir até uma escola próxima, e comer algumas frutas. Fui para o hotel, encontrei minha mulher que, junto com algumas poucas pessoas, havia feito os 6 km de caminhada em 2h e 40 min. Ela odorou a experiência. Fomos jantar numa cantina muito interessante: nada como uma massa para repor as forças. Na semana seguinte tive algumas dores leves nas pernas, e diminuí os treinos. Afinal já sabia que, no domingo seguinte, teria uma outra aventura, menos pesada, mas igualmente interessante: os 20 Km da Serra da Graciosa, em Morretes, próximo a Curitiba. Era a segunda vez que iria correr esta prova, e esperava (todo corredor espera) diminuir meu tempo de 2002, que foi de 2:18:19.
Cheguei a Curitiba no sábado, para pegar o kit. Tempo encoberto, com chuvas ocasionais. Maravilha. É, para mim, o clima perfeito para correr. No domingo levantei bem cedo, pois tinha, até às 7, que pegar o ônibus que levaria os corredores para Morretes. Quando chegamos, estava até quente, apesar de bastante nublado. Como já conhecia a prova, sabia o que esperar: cerca de um quilômetro plano, uns quatorze de subida ininterrupta, e, depois, mais cinco de subidas e descidas. Larguei rápido, mas assim que começou a subida, reduzi o ritmo. Conversava com alguns corredores, mas era difícil manter um papo com uma subida daquelas. Começou a chover e, depois, veio a neblina. Em alguns trechos praticamente não se via nada. Lembrei de uma corrida da Rotary-Asfar em que a mesma coisa havia acontecido. Estava até conseguindo manter um bom ritmo, pouco acima de 6 minutos por quilômetro, e continuei. Quando, finalmente, apareceu a primeira descida, foi um alívio. Certo, sabia que logo depois existiriam outras subidas, e que ainda faltavam mais de cinco quilômetros para o final, mas poder finalmente descer e soltar as pernas é algo maravilhoso. Aí começou uma parte bastante divertida. Como sou melhor descendo que subindo, normalmente passo vários corredores nos declives, que me ultrapassam nos aclives. E assim, acabo me distraindo, e tudo vai mais rápido. Quando finalmente vi, entre a cerração, o pórtico de chegada, acelerei. E não é que consegui baixar um pouco meu tempo: terminei em 2:13:50. Achei que estava inteiro, pois tinha tido uma semana de treinos mais leves, mas quando, algumas horas depois, peguei o ônibus para São Paulo, dormi quase a viagem inteira. Cheguei reanimado, para mais uma semana de trabalho e treinos.
No sábado tinha de ir para o Rio, e descobri um treino que iria ocorrer na Lagoa Rodrigo de Freitas, certamente um dos lugares mais lindos da cidade. Nunca tinha corrido na Lagoa, pois apesar de ser carioca, só virei corredor muito depois de sair de lá, e, quando estou no Rio, acabo correndo em torno do Maracanã, que é próximo da casa de minha mãe. Fiz a inscrição na prova de 15 Km (havia também uma de 7,5, para aqueles que quisessem dar só uma volta). A grande vantagem é que a largada seria às 7h30min, horário de temperatura ainda amena. Novamente acordei cedo, peguei um ônibus e, depois de trotar uns dois quilômetros, cheguei onde seria a largada. No carro do organizador eram entregues o número e a camiseta, que era legal mas, como quase semprel, grande demais para mim (ainda vou fazer uma campanha em prol dos corredores pequenos: por que só fazem camisetas G e GG?). O carro também servia de guarda volumes. Eu, mantendo o meu volume de treinos, havia corrido 20 km na sexta e o mesmo no sábado. Assim, pretendia fazer a prova devagar, em torno de 6 min. por quilômetro, e, depois, mais devagar ainda, dar uma outra volta na lagoa e ir até a estação de metrô mais próxima, o que deveria significar uns 12 km a mais. Éramos poucos corredores (menos que cinqüenta, eu acho), e a maioria iria fazer só uma volta. Foi dada a largada, e rapidamente atingi o ritmo adequado. Para os que, como eu, iam fazer os 15 km, havia três pontos com água. Apesar da estrutura simples, tudo estava bem organizado, e gostei da experiência. Afinal, treinar na Lagoa Rodrigo de Freitas (bem menor que a da Pampulha, onde comecei a minha vida de corredor) é bem divertido: bastante gente correndo, caminhando ou andando de bicicleta, uma paisagem lindíssima, e a possibilidade de correr sem se preocupar com o trânsito. Terminei a prova em cerca de 1h e 25 min e, após pegar o lanche e minha mochila, fui completar o meu treino, já debaixo de um sol forte.

Espero que esses relatos animem os colegas da equipe a relatarem as provas diferentes que fizerem. Se gostarem, posso depois escrever sobre a Praias & Trilhas. É uma experiência fantástica e, para mim, sempre emocionante, pois nunca sei se vou, ou não, conseguir terminá-la.
Um abraço para aos amigos dos longões de sábado. No próximo, estarei de volta.

Os resultados completos da duas primeiras provas citadas podem ser encontrados respectivamente em http://www.corridasdemontanha.com.br/extrema.php e http://www.procorrer.org.br . A da última será publicado www.ativo.com


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