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18ª Volta da FEG-UNESP do Campus de Guaratinguetá
13/06/2013

Por Israel de Campos
No dia 19 de Maio de 2013, às 9 horas da manhã, foi realizada a 18ª Volta da FEG-UNESP do Campus de Guaratinguetá. Foram 8 km percorridos em 32min e 36s. Participo desta prova desde à sua primeira edição, que no começo eram apenas 5,5km de extenção.
É uma prova simples com um limite de 500 atletas porém bem organizada tendo até um café da manhã que é servido aos atletas.
Pude rever meus amigos Orlando, Ildebrando, Rosana e todos aqueles que começaram comigo há 21 anos atrás e que estão correndo até hoje. Foi no Vale do Paraíba, na cidade de Lorena, que comecei neste esporte que se tornou uma filosofia de vida.
Em 2007, Rogério José Cabral, considerado um dos 50 melhores maratonistas do Brasil, irmão de Rosana, faleceu num grave acidente de trabalho. Um colega que faz falta nas corridas de hoje.
Me lembro bem que quando saia para correr com o colega 5km, por exemplo, eu corria 2,5km e voltava 2,5km. A mesma coisa quando era 10km. No momento que o amigo consegui atingir a distância de 21km e 42km, eu lhe perguntei: “como você faz para completar estas distâncias tão longas?” Ele me respondeu: “... é que eu não guardo energia para voltar à linha de partida...”
Sua morte chocou a todos, porém a justiça foi feita após 5 anos de luta na Justiça do Trabalho. Após sua partida prematura, ao participar de duas provas de rua, corri mais rápido do que costuma correr. Quando percebi que meu tempo havia caído, eu estava na “elite B” Foi a primeira vez que eu não guardei energia para voltar à linha de partida.
Quando a família ganhou a causa na justiça, foi a primeira vez que não olhei para trás ao cruzar a linha de chegada sempre esperando o amigo. Senti que o mesmo estava do meu lado naquele momento. A verdadeira conquista, não aquela baseada em meros troféus de plástico. É aquela de ter tido a sensação de ter realizado algo maior, de ter feito parte de algo. De não fugir dos problemas, de não fugir do passado...
Escolhi umas palavras escritas pelo ator e lutador Bruce Lee e deixo, também, uma dedicatória ao Rogério e que ofereço, agora, a todos os atletas da equipe Tavares.

À memória de a um amigo


Rogério

O vento açoitando a sua cara. Tão veloz quanto à vontade de ser vencedor...
A largada, a chegada, a bandeirada, o podium!
A vida é assim para muita gente.
Em especial para uma pessoa que me marcou profundamente em laços de amizade fraternal sem comparações...
Hoje, aqui, vendo a corrida, pensei em fazer uma homenagem a você, Rogério...
Aprendi com amigos o valor de um sentimento que muito colaborou para eu estar aqui hoje, uma vez mais, sobrepujando inúmeros obstáculos, para atingir a reta final de mais uma edição de meu livro, e disso feito, não poderia deixar de me lembrar da alegria que sempre compartilhei com você e seus familiares em inúmeros eventos.
Deus sabe o que faz, acredito nisso, e também acredito que ele deu a você asas para “correr”, bem mais velozes, e conquistar troféus que vão além de valores meramente materiais.
Procuro sempre me alegrar por aqueles ao seu redor que na força da vida se transformam e, com seus exemplos de vida, continuam lutando para tornar o nosso pequenino planeta, um lugar um pouco melhor para se viver.
Nunca podemos nos esquecer de quem somos ou de onde viemos. Para aqueles que lêem esta dedicatória, prefiro não dizer como o meu amigo morreu mas, sim, como ele viveu. Seu tempo se foi. Mas sua memória permanece e nos dá força para continuar.
Eu gosto de pensar que agora ele está num lugar melhor do que o meu que todos nós procuramos mas nunca o encontramos...
A cada corrida que participo, uma parte de você, Rogério, está sempre lá e, a outra parte, levo aqui no meu coração porque é nele que você corre.
O tempo de chorar se foi. Para cada corrida completada, meu espírito é tomado de alegria e euforia, pois é nesse sentimento que a nossa amizade reside.
Que voe rápido, meu amigo, pois a lembrança de sua breve passagem ficará sempre regis¬trada na memória do seu amigo aqui, que ainda acredita no valor de uma amizade...

Israel de Campos Avillano

A aceitação da morte e à necessidade de lembrar

A alternância do verão e do inverno torna-se uma benção no momento em que desistimos da fantasia da eterna primavera. Desde sempre e cada vez mais, existe um momento em que nossas vidas se separam de nossos amigos queridos. Meu caminho me levou até ali e o seu em outra direção; não sei aonde o caminho de amanhã me levará; nem o que o futuro tem a oferecer.
A lembrança é o único paraíso do qual não podemos ser expulsos. O prazer é a flor que fenece, a lembrança é o duradouro perfume. Lembranças duram mais do que realidades presentes. Já preservei flores por muitos anos, mas frutos, jamais.

Palavras de Bruce Lee


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