Notícias

Maratona de Belo Horizonte
04/05/2012

Por Clayton Freitas

Os altos e baixos da maratona de Belo Horizonte

Estive no dia 29 de abril na maratona de Belo Horizonte (MG), prova integrante da já tradicional Meia Maratona da Linha Verde. Há 20 anos os 42km não eram realizados. Saí de São Paulo com toda desconfiança do mundo, que foi (graças a Deus!) dissipada posteriormente.
Na entrega do kit, feita ao lado da rodoviária, na sexta (27), conheci um veterano corredor mineiro, com o qual conversei um pouco e pedi ajuda para localizar o hotel que havia reservado. Solícito --percebi que essa é uma boa caracterísica dos mineiros, além de muito hospitaleiros e donos de uma culinária formidável-- ele me orientou.
No meio do caminho, feito à pé, conversamos e eu, receoso, questionei várias coisas, desde o trajeto (eu já sabia pelo tinha visto antes na internet, mas quis "tirar a prova" com quem já conhecia), até se os organizadores forneciam hidratação de forma correta (perdoe-me Japão, caso você esteja lendo isso, mas realmente estava receoso, rs...).
Este senhor (não perguntei seu nome, nem disse o meu) ressaltou para tomar cuidado com as subidas, para ser cauteloso, etc, até que eu disse em tom semi-irônico: "Já corri cinco vezes a São Silvestre, lá tem uma subidinha razoável". No ato, ele respondeu com seu característico sotaque e voz firme: "Meu filho, Brigadeiro[a temida avenida na parte final da São Silvestre] é como se fosse plano pra nós". Chegamos a esquina, nos despedimos e rumei até o hotel com aquela frase na cabeça.
A véspera
Fiz todas as "lições" de casa na véspera --alimentação, hidratação, e, principalmente descanso, apesar de ter visitado alguns museus. Quando voltava para o hotel, no sábado à tarde, conheci o Japão Carvalho, dono da By Japão, empresa organizadora da prova. Curiosidade: apesar do nome, as feições de Japão não me lembraram em nada um nipônico (risos). Ele também alertou a respeito das tais subidas, principalmente nos km 7 e km 11.
Meio receio aumentou ainda mais, porém, pensei comigo "já treinei subidas, quem sobe as rampas do prédio da Bienal toda quinta não há de temer isso!". Fui dormir cedo para acordar às 4h do domingo, já que as vans ficariam no ponto marcado somente até 5h30.
A prova (e a frase do mineirinho se confirmou)
Vans posicionadas, viagem até o ponto de largada. A temperatura estava amena, porém, o céu estava claro e anunciava muito calor (diferente de São Paulo, com predomínio de tempo fechado, com frio e chuva, segundo fiquei sabendo na volta).
As duas provas têm saídas no mesmo horário, às 6h30, e do mesmo ponto, a Cidade Administrativa. Trata-se de um complexo gigante e belíssimo, de 800 mil m², composto por cinco grandes prédios projetados por Oscar Niemeyer. Ele fica numa cidade vizinha, chamada Serra Verde. Os corredores dão duas voltas neste complexo, num total de 5km.
De lá, segue-se pela rodovia MG-010. Em São Paulo temos vários locais de provas, porém, não me recordo de nenhuma que percorra uma rodovia. Devido a tal característica, o que se enfrenta em dados trechos da primeira parte da maratona e da maior parte do percurso da meia (elas seguem juntas até a chegada a cidade) são descidas por vezes íngremes e subidas, ambas constantes, muito extensas (calculei uma de 2km). Não são ladeiras como as que estamos acostumados na USP (Biologia), onde a altimetria evolui rapidamente, porém, as pernas pesam bastante, além de castigar sobremaneira quadrícipes, panturrilhas e tudo mais que se possa exigir em variações como estas.
Além desta variação, é minimamente estranha a sensação de se correr em apenas uma faixa de uma grande via tendo ao lado --a poucos metros, separados apenas por cones-- carros que passam a velocidades superiores a 100km/h (é permitido rodar a até 110km/h na MG-010). Garanto que o medo de algum desses carros perder o controle e invadir a faixa resevada aos corredores foi bem maior do que as dores pelas variações do percurso, bem difícil. Em meio a isso, a temperatura, até então amena, foi subindo como passar dos kms.
Finda a rodovia --são quase 17km nela-- entra-se num túnel, seguido de um....viaduto!!! Agora entendi perfeitamente o recado do mineirinho (que considerou a Brigadeiro plana nos padrões mineiros).
Neste ponto os que continuarão na maratona e os que seguem para a meia se dividem. Para quem continua na maratona, a prova segue praticamente plana, com poucas variações de altimetria.
Basicamente eles fizeram uma "cruz", um vai-e-volta (uma ida e volta para a direita, e outra ida e volta para a esquerda) tendo ao centro a praça da Estação, onde a prova termina. Se as subidas haviam acabado, o que subia era o termômetro. Alguns relógios de rua chegaram a marcar 30°C, apesar da umidade relativa do ar estar alta (pelo que senti), e um vento um tanto quanto gelado.
No decorrer do percurso, ritmo já encaixado, o pulmão, o entusiasmo (e a música nos ouvidos) pediam "vai", e as pernas, e musculatura de membros inferiores diziam "dói". Tenho certeza de que isso não foi falta de preparo, desidratação, ou estratégia errada. Mas do trajeto mesmo, que, ao contrário de quase todas as provas das quais já participei, exige mais na primeira parte do que na segunda, além das longas descidas e subidas.
Resultado
Afora alguns pontos negativos, o principal foi o de não passar por alguns cartões postais da cidade, o que deixaria a prova mais bela, a organização me surpreendeu positivamente, dede o kit (simples, claro, mas justo), passando pelas informações prestadas até a hidratação, muito bem distribuída pelo trajeto. Valeu muito a pena, e espero que a maratona se firme de vez no calendário. Se for como a que fiz, está a contento.
Quanto ao meu desempenho, terminei dentro do que pude, sem forçar muito já que sentia bastante a musculatura devido ao trajeto, bem desafiador. Fechei em 3h46 (meu Polar me indica alguns segundos a menos, a organização, alguns segundos a mais, já que eles não calculam tempo líquido, só bruto). Fato é que foi meu novo recorde pessoal, seis minutos abaixo de minha melhor marca até então. Agradeço muito ao mestre Tavares e toda sua equipe pela ajuda em realizar meus sonhos nas pistas.
E que venham as próximas!
Contatos
facebook:
https://www.facebook.com/claytonfreitas
twitter:
http://twitter.com/claytonfreitas
Dicas para quem for correr em Belo Horizonte
(já que o Tavares não monta pacote pra lá,rs...)
Transporte
O aeroporto de Confins fica a cerca de 30km de Belo Horizonte, um dos mais distantes que já pousei. O trajeto de táxi custa mais de R$ 100 (em simulações que fiz, até mais). Existem possibilidades de ônibus, o mais interessante é um que sai do aeroporto e deixa na rodoviária, no centro, custando R$ 7,10.
Hospedagem
Os hotéis do centro são os mais baratos, especialmente os do entorno das avenidas Amazonas e da Afonso Pena, duas das principais do centro. Ficar nesses pontos também é estratégico, já que o belo parque Municipal e vários museus (o de Artes e Ofícios é parada obrigatória) ficam em seu entorno
Corrida em zoológico
Eu não acreditei até checar. Em Belo Horizonte eles têm uma meia cujo trecho do trajeto passa dentro do zoológico da cidade. Pena que é no mesmo dia da maratona de Porto Alegre, em 3 de junho. Para quem quiser mais informações, é possível encontrar no site
http://www.meiamaratonadebh.com.br/sitenpq/
Alimentação
Esqueça da dieta em Belo Horizonte. Tão bom quanto a acolhida dos mineiros, é sua culinária. Eles têm o dom de lidar com aquelas panelas de barro, ferro, etc. E acredite que eles são bem mais talentosos do que os pratos que os fizeram famosos (doce de leite, pão de queijo). E, para quem bebe destilados, ouvi dizer que as pingas são um espetáculo à parte
Boas provas!


©2012 ECTAVARES - Tel: 11 3231-2080/3159-8456/7722-0811 - Design Ciclo Graphics