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São Silvestre 2010
20/01/2011

Por Allan Brito

Ao contar que iria correr a São Silvestre de 2010, cansei de ouvir como resposta: “cuidado com a subida da Brigadeiro! É muito difícil!”. Claro, dois quilômetros de aclive logo no final de uma prova de 15 quilômetros mereciam todo respeito mesmo. Mas fico feliz em poder dizer agora, com a medalha no peito e após ter concluído bem a prova: a subida da Brigadeiro não é difícil!

Não é nenhuma arrogância de minha parte. É só uma questão de observação. Afinal, difícil mesmo foi toda a preparação feita nos últimos cinco meses para conseguir encarar esse desafio do dia 31 de dezembro. Difícil mesmo foi acordar às 4 ou 5 da manhã para treinar durante agosto, setembro, outubro, novembro e dezembro. Difícil mesmo foi perder 9 kg desde julho. Difícil mesmo foi ter que recusar saídas, festas e baladas para descansar à noite e render melhor nas corridas menores de preparação. Difícil mesmo foi aguentar o ambiente de academia para fortalecer e prevenir o corpo de lesões. Enfim, difícil mesmo foi ficar pronto para a temida subida. Porém, agora posso dizer que de fato fiquei pronto. Com todas essas dificuldades, mas com muitos prazeres também! Afinal, há poucos prazeres maiores do que superar o próprio limite a cada dia.

Foram quilômetros e quilômetros de asfaltos deixados para trás para que eu pudesse enfim atingir um objetivo traçado quando eu ainda era uma criança – quem, durante a infância, não ficou correndo ao redor da sala de casa depois de vibrar com a vitória de um brasileiro na São Silvestre?! Ok, entendo, isso não é tão comum assim. Mas confesso que na década de 90 eu fiquei. E agora, um pouco (!) mais crescido, pude estar lá, na mesma “pista” em que o lendário Marílson dos Santos fez história e voltou a empolgar os brasileiros.


Estive lá e, como não poderia deixar de ser, enfrentei mais dificuldades. Logo de cara, a largada, tão mal organizada pela Yescom: um inferno, com tumulto e esbarrões, do qual só é possível se livrar depois do primeiro quilômetro. Lá, já na Rua da Consolação, vem então uma descida perigosa, onde começou meu maior terror do dia: uma vontade incontrolável de urinar. Parece piada, pode rir, mas na hora foi sério. Exagerei nos cuidados com a hidratação durantes os dias anteriores e a conta foi cobrada ali, logo no começo da corrida. E tive lidar com essa dificuldade até o fim, com as pernas mais travadas, os músculos mais fracos e a total desconcetração causada por aquele incômodo.

Ainda vieram todas as complicações da prova, os viadutos, as subidas do Largo São Francisco, da Brigadeiro e tudo mais – obstáculo por obstáculo superados na base da raça. Ao final, prova completada em 1h38min58seg, 10.044º lugar no geral e 364ª posição na minha faixa etária (M2024). Bem acima do que eu podia, por causa do maldito xixi que veio na hora errada. Semana antes, tinha completado uma prova da mesma distância, a Gonzaguinha, em 1h29min. Ou seja, dava sim para ter sido bem melhor. Mas tudo bem. Acontece. O mais importante está além…

O mais importante é o legado. A alegria e a saúde que essa prova proporcionou, juntamente com todo o prazer dos difíceis treinos durante cinco meses, vai me motivar para seguir em frente sempre. Continuarei firme e forte nas pistas. Talvez busque uma Meia Maratona (21Km) no ano que vem. E voltarei com certeza para a São Silvestre 2011. Ainda melhor preparado, vou aproveitar mais aquele apoio popular especial, entre as crianças de mãos estendidas, os idosos que aplaudem e as mulheres que despejam água em todos com mangueiras; vou me divertir ainda mais com os fantasiados; vou me emocionar ainda mais com o ótimo percurso; e também, é claro, vou beber menos água e assim melhorar muito meu tempo. Quem vem comigo?

No mais, não posso encerrar esse texto sem fazer meus agradecimentos a quem foi tão importante nesse desafio. Eu fiz apenas 60% do que era necessário. Os outros 40% ficam por conta de…

Equipe de Corredores Tavares, obrigado! Com vocês aprendi a treinar de verdade e evoluí como nunca. Professores Zili, Luiz Tavares, Adesilde, Fabinho, Rafael, Meire, André e outros, obrigado mesmo!
Alunos da E.C. Tavares, obrigado! Vocês deixaram os treinos menos sacrificantes e mais divertidos. É sempre melhor não citar nomes para não esquecer de ninguém, mas vocês sabem quem são e a importância que tiveram.
Academia V10 Fitness, obrigado! Valeu pelas dicas e pela atenção que sem dúvidas foram decisivas para eu encarar subidas, perder peso e me sentir mais confiante.
Família, obrigado! Não iria a lugar nenhum sem vocês, pai e mãe. Com um agradecimento especial para a Ellen, minha irmã, e seu namorado, Rafael, que me acompanharam em treinos e corridas desde o início dessa história.
Amigos, minha outra família, obrigado! Passalacquenses, casperianos, sabespianos e outros, valeu, acima de tudo, pela compreensão, pois deixei alguns de lado em busca de mais rodagem nas pistas. Mais uma vez não vou dar nomes, pois a quantidade é grande – e o mais importante: a qualidade também!
Runner’s World, obrigado! Sim, uma revista me ajudou. E o blog da revista, o Correria, também. Correr é mais do que só calçar um tênis e sair por aí. É preciso informação e motivação, e foi nisso que a publicação capitaneada por Sérgio Xavier me ajudou.


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