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Fratura por stress
10/12/2010

Por Dr Neto

Sobre as fraturas por stress, explicarei, como elas podem surgir e quais fatores podem aumentar os riscos de lesão.

Inicialmente descrita em recrutas militares por um cirurgião alemão, as fraturas por stress representam uma das lesões mais incapacitantes para os corredores de longa distância. Seus estudos iniciais foram realizados com radiografias planas até o eventual advento da cintilografia óssea, exame que foi desenvolvido a partir de 1971 e que utiliza a leitura corporal de um rádio fármaco (substância radioativa marcada com tecnécio-99m) injetado na veia do paciente.

As fraturas de stress são lesões ósseas causadas por uma sobrecarga onde o local acometido apresenta uma alteração do processo fisiológico de remodelação óssea. Em outras palavras, o osso enfrenta estágios de remodelação natural em resposta às situações de aplicação de carga, durante as quais ocorrem destruição e formação de tecido ósseo. Quando há um desequilíbrio entre estes processos, o tecido entra em fadiga e não consegue se regenerar adequadamente, culminando com o aparecimento das fraturas.

As fraturas de stress resultam de uma sobrecarga cíclica e repetitiva sobre a estrutura óssea e não de eventos traumáticos agudos. Os estudos apontam duas teorias para explicar a origem das fraturas de stress em atletas.

Teorias - A primeira delas afirma que o enfraquecimento da musculatura que envolve os ossos reduz sua capacidade de absorção de impacto que passa a ser direcionado às extremidades inferiores e promove a redistribuição de forças para o osso, aumentando o stress para pontos focais. Dessa forma explica-se o mecanismo pelo qual estas fraturas acometem os membros inferiores.

A segunda teoria afirma que a tração muscular através do osso, resultante de movimentos esportivos, é capaz de gerar forças repetitivas suficientes para o próprio desenvolvimento das fraturas de stress que acometem os ossos dos membros superiores.

Diversos fatores de risco são considerados predisponentes para o surgimento das fraturas de stress: idade, sexo, raça (brancos são mais suscetíveis do que negros), nível de atividade, nível de condicionamento físico, distúrbios hormonais, desequilíbrios alimentares, características biomecânicas (assimetria de membros inferiores, diminuição da largura da tíbia, valgismo ou varismo de joelhos, pronação dos pés). A modificação súbita nas características do treinamento também pode ser um fator.

A tríade da mulher atleta representa um fator de risco importante para o sexo feminino, cerca de três a 12 vezes maior do que para o homem e caracteriza-se pela presença de distúrbios dietéticos (baixa ingestão calórica, bulimia, anorexia nervosa, administração de diuréticos ou laxativos). Outros fatores são alterações menstruais (oligomenorréia - fluxo menstrual diminuído, ou amenorréia - fluxo menstrual ausente) e osteoporose (diminuição da quantidade de cálcio na matriz óssea).



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