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Maratona do Rio 2010
26/07/2010

Por Rodrigo Silveira


O sonho de correr a primeira maratona começou no inicio do ano passado, 2009. Porem, com os vários trabalhos e provas além de chegar tarde das aulas as segunda e terças-feiras ate agosto não consegui treinar e decidi adiar para 2010. A prova escolhida foi a da minha cidade natal, Rio de Janeiro.
Iniciei os treinos na equipe Tavares em fevereiro, e a cada mês os treinos iam ficando mais desafiadores, e os tiros de 2.000 e 3.000 metros e os longões de 30 quilômetros deixaram de serem assustadores. Tudo graças à dedicação aos treinos orientados pelo meu treinador e equipe.
Tudo maravilhoso, super empolgado com os bons resultados dos treinos, e de repente uma lesão na panturrilha faltando pouco mais de um mês para a maratona do Rio. Achei que os meses de treino e o sofrimento de acordar as 5:00 da manhã seriam perdidos. Ortopedista consultado e o diagnóstico foi de lesão por stress. Imediatamente comecei a me tratar com acupuntura e a duas semanas do dia da prova já estava recuperado. Fui ao local de treino da equipe no Ibirapuera e conversei com o Professor Luiz, que me passou um treinamento especifico para recuperar o tempo perdido. Confesso que senti não conseguiria terminar a prova porque estes treinos pós lesão foram bastante cansativos aerobicamente.
Os dias antecedentes ao domingo da maratona foram bastante chuvosos e a previsão do tempo confirmava que a frente fria, ou seja chuva, não iriam embora da cidade antes de domingo. No caminho para a largada no Recreio a chuva não dava trégua. Aproveitei que não estava dirigindo e orei ao meu Poderoso Deus que abençoasse a todos os guerreiros que estavam acordados para uma batalha de 42 quilômetros com uma manha sem chuva. Chegando ao local a chuva havia passado e as nuvens davam indícios que minhas preces seriam atendidas. Agora a toda atenção seria somente para a prova. Eu, meu irmão e a minha cunhada; iniciamos o aquecimento e os alongamentos, e largamos para o tão sonhado dia.
A estratégia traçada com meu irmão foi de irmos no pace de 6´/km ate a subida da Avenida Niemeyer, ou seja, pouco antes dos famosos 30k e a tal parede. Quando chegamos na largada da meia maratona no inicio da Barra da Tijuca começamos a encarar a prova com maior seriedade e concentração. A subida de 2k da Av. Niemeyer teve pace reduzido para poupar energia para os quilômetros finais da zona sul da cidade. Ao passarmos pela placa de 30k pouco antes da praia do Leblon estávamos nos sentindo bem, cansados e com algumas dores, mas bem. Nesta altura as pessoas estavam nos incentivando e percebi que o premio estava perto, e não me segurei. Meus olhos se encheram de lagrimas.
Creio que estes últimos quilômetros foram os mais longos, pois são as praias que estamos acostumados a treinar em ritmo mais forte que o qual estávamos. Passando a emoção voltei a me concentrar e avistamos a sogra do meu irmão que iria dar apoio de bike para minha cunhada até o final da prova. Seguimos concentrados e a todo momento meu irmão me dava instruções e incentivos para manter o ritmo. Foi difícil, viu! É como dizem na subida da Brigadeiro na prova da São Silvestre: ”Aqui é onde se separam os guerreiros do resto”.
Chegamos em Copacabana! E como o clima estava bom e sem chuva minha família não estava lá para nos ver passar, mas sim na chegada para nos receber com festa. Na Av. Princesa Isabel um casal que corria junto festejava e filmava a cada placa que marcava a quilometragem. Inclusive dei ate uma entrevista para eles (risos)! Faltavam 4 km apenas. Muita emoção e cansaço juntos!
Após o túnel que chega ao shopping Rio Sul havia um cidadão “comum” (creio que especial seja mais adequado) que estava com uma banquinha distribuindo laranjas e gelo. Foi uma energia maravilhosa receber aquele presente. Foi a metade de laranja mais saborosa que comi. Energia renovada, e faltavam menos de 3 quilômetros para a chegada. No dois últimos quilômetros como estávamos nos sentido bem, sem câimbras e com fôlego, conseguimos acelerar e ultrapassamos diversas pessoas. No final da ultima curva na enseada de Botafogo avistamos o pórtico da chegada e nossa família. Entre eles minha avó, minha mãe, o marido da minha mãe, minha esposa e minha filhota de 7 anos. Peguei a mãozinha dela para corrermos os últimos 50 metros juntos. Ela segurou forte e acelerou na minha frente. Uma fonte extra de emoção e energia.
Cruzamos o pórtico de chegada com o tempo de 4 horas e 25 minutos! Gostei muito do resultado, pois alem de ter chegado inteiro, não tive câimbras e o fôlego ainda estava bom. Depois da prova ficamos curtindo com a família a emoção de entrarmos para o hall de maratonistas.
Quem ama a corrida, independente de como encara ela, deveria ter esta experiência um dia! Basta se dedicar, confiar em si, e principalmente em Deus, que nos dá vida diariamente!
Os que esperam no SENHOR renovam as suas forças, sobem com asas como águias, correm e não se cansam, caminham e não se fatigam. (Isaías 40:31)
Anything is possible, but you have to believe and you have to fight. (Lance Armstrong)


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