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Maratona de Nova York: 42.195 metros de pequenos gestos
20/11/2009

Por Cristina Rodrigues

A Maratona de Nova York é um verdadeiro “sonho” no universo dos corredores!
É uma maratona importante, tanto pelo próprio prestígio da cidade como pela composição que permeia a organização impecável e a participação popular.
Assim, eu que estava me organizando para fazer a Maratona de Amsterdã com o Ale e a Nádia, recebi a notícia que havia sido sorteada para fazer a Maratona de NY. Pronto, mudança de planos...

Em Nova York, fui recebida por minhas adoráveis amigas Ceci e Cleusa que fizeram da minha estadia um momento mágico e tranqüilo. Na casa delas, eu era da elite!

No sábado, fui à Expo e lá vi como uma babel pode funcionar tão bem, quando fazemos o que amamos. Assim vejo os organizadores dessa prova, pessoas que, realmente, amam o que fazem.

Tudo estava ali para nos propiciar momentos inesquecíveis e, mesmo assim, havia uma simplicidade no ar... Uma leveza permanente.

As línguas das mais diversas e distantes nações se confundiam com os risos provenientes de uma felicidade, que caracterizava os corredores apaixonados embevecidos com a perspectiva da festa que estava por vir.

No dia da maratona, eu estava em White Plains que é uma cidade encantadora há cerca de 25 minutos de NY.
Precisei acordar às 4h00, pois iria de trem até a Grand Central Terminal e dali para Staten Island, onde seria a largada.
Fazia muito frio, mas os corredores começaram a surgir na estação...
Aos poucos, de todos os lados, em todas as estações, os espaços foram ocupados por aqueles seres característicos e que conhecemos tão bem: corredores!
Quando finalmente chegamos (de metrô) ao terminal do ferry de Staten Island, foi emocionante, pois eu olhava para todos os lados e o que via era um mar de gente... De gente que corre! Foi fantástica a visão que tive. As pessoas se confundiam com a manhã fria e brilhante, pq o letreiro da estação do ferry era de um azul magnífico, que nos recepcionava como se estivéssemos entrando nos portões do céu: o céu dos corredores.
Assim, aquele turbilhão foi seguindo, e falando, e sorrindo até os currais de largada. Era uma festa!
Largamos e o que não passava de um sonho, vingou e se materializou em passos firmes e olhos vibrantes.
Um pouco antes da largada, estávamos parados, aguardando o sinal e eu ouvia Vivaldi (as quatro estações) no ipod. Eu não percebi, mas estava tão envolvida com a música que imitava uma maestrina à frente de uma orquestra. Bem, não passei despercebida por um grupo de noruegueses que começaram a olhar insistentemente pra mim e sorrir. Não tive dúvida: tirei um dos fones de ouvido, levei até uma corredora norueguesa e coloquei no ouvido dela... Ela adorou, entendeu o que eu sentia e sorriu, se voltando para o grupo e repetindo a melodia. Foi incrível!
Ao longo da prova, fomos provando Nova York como quem degusta um bom vinho. Fomos nos assenhorando da cidade que é do mundo, mas que naquele instante, era somente nossa!
As ruas, as pontes, os americanos, imigrantes e turistas que faziam festa ao longo do percurso, tudo parecia perfeito. E foi!
Numa Manhattan que nos absorvia e nos arrebatava, invadimos o Central Park que estava absolutamente lotado de gente que vibrava, torcia, gritava e nos impulsionava a completar aquela prova dos sonhos.
Nesse momento, lembrei de como chegamos (todos nós corredores) até ali.
Pensei que houve um dia, num tempo distante, em que mal conseguíamos parar de pé! Engatinhávamos!
E que o primeiro passo foi resultado de várias tentativas e de vários tombos.
E agora, ali, naquele instante mágico, éramos donos do poder de caminhar, correr... Éramos plenos!
Após a chegada, após a sonhada medalha, “corri” para tentar pegar um táxi, que me levaria para encontrar com amigos em um restaurante.
Não...Isso não era possível. Não havia táxi disponível. Eu estava exausta e ansiosa para encontrar meus amigos e para ligar para o Ale, dizendo: VOCE PERDEU A APOSTA, EU FIZ EM 4H20!!!
Apareceu uma espécie de charrete de bicicleta e eu não tive dúvidas, subi e segui feliz, encapada com o cobertor metálico, pois fazia muiiiito frio.
Ao chegar ao restaurante, corri para o banheiro, pois precisava me recompor, afinal não era um restaurante qualquer e eu estava acabada.
Depois de recomposta, medalha no peito... Fui para o salão e me deparei com uma mesa bonita, de gente bonita e feliz.
Estavam na mesa, minhas amigas – Cleusinha e Ceci – a Deputada Zulaiê Cobra Ribeiro e seu filho, o bonito e charmoso Sergei Cobra.
Ao chegar, fui recebida pelo grupo e o Sergei (um autêntico cavalheiro, desses que não vemos mais por aí) levantou-se e me aplaudiu discretamente e, eis que o restaurante acompanhou, me aplaudindo muito. Fiquei, confesso, extasiada. Foi maravilhoso e, perdoem-me, mas eu mereci cada som daquelas palmas!
Naquele instante, lembrei novamente do momento da chegada e de como havia, de fato, chegado até ali e conclui: somos o resultado de pequenos gestos!
Chegamos à vida, impulsionados por um primeiro beijo!
E ao longo de nossa existência, inúmeros pequenos gestos vão nos formatando e nos tornando maiores e mais fortes. Nos tornando vitoriosos!
Assim, entendo que: Cada passo que damos em direção à linha de chegada de qualquer corrida, é um pequeno gesto de poder pessoal, libertação, superação e prazer.
Um corredor sabe que tem que manter o ritmo, manter o compasso ao longo de todo o percurso.
Um corredor, sabe que tem 42.295 metros de pequenos gestos até cumprir sua meta, estabelecer sua marca e vibrar com sua vitória pessoal!

By Cris Rodrigues


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