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Maratona na cidade maravilhosa
03/07/2009

Por Cássio Motomura

A verdadeira maratona não é a prova em si, mas sim o período de preparação para a prova. Sessões exaustivas e intermináveis de tiros, longos que parecem sem fim, fazem o treino ser a verdadeira maratona.
Depois da meia do Rio no ano passado, decidi dobrar a distância neste ano. Foram quatro meses de treinos de corrida e musculação, além de uma dieta. Precisava me alimentar melhor, trocando massa gorda por magra, e reduzir o colesterol. Graças a tudo isso baixei meus tempos nos 5k e na meia, mantive meu peso, perdi gordura e também 20% do colesterol.
Na sexta peguei o ônibus, pronto para meu novo desafio, a maratona do Rio.

Na véspera: a feira, o kit e o enforcado

Chegamos no Rio no sábado, tomamos café e fui ajudar o Tavares a retirar os kits. Junto com a entrega dos kits estava havendo uma feira de esportes, mais de 20 stands, a maior que já tinha visto do gênero. Interessante para uma cidade que quer sediar uma olimpíada.
Após conferirmos os kits tínhamos um problema: 70 kits pesados a serem levados por 4 pessoas. Só eu levei uns 20 sozinho. O Tavares, ao pendurá-los no pescoço, quase foi enforcado pelos kits. Isso que é comprometimento.
Os kits e as medalhas eram personalizados para cada uma das 3 provas. No kit tinha: boné, revista, carbgel, isotônico, macarrão, desodorante, e camiseta Santa Constancia (mesmo tecido das nossas camisetas novas).
Porém ficamos quase três horas para retirar os kits, graças à desorganização do staff da prova, e todos os tamanhos das camisetas eram pequenos, o que desagradou alguns atletas.
A hidratação na véspera em lugares quentes como o Rio é essencial para o desempenho na prova. Sempre fazia ela com água e isotônico, mas dessa vez fiz com água de coco (além de natural é riquíssima em potássio).
Claro que não fomos para o Rio somente para correr, além de maratonistas somos "maraturistas". À tarde houve um passeio para o Pão de Açúcar.

O dia da prova: a parte mental estava ok, a intestinal nem tanto

Saímos do hotel às 5:30. Muito cedo? Pois é, a largada da meia era às 7:30 e às 8:00 era a da maratona. E para chegar tínhamos que atravessar a cidade antes do bloqueio das ruas, pois as largadas eram na Barra e no Recreio (zona oeste).
Outra coisa importante numa maratona é saber o que a prova oferece, em quais kms, e saber o que levar e o que consumir a cada km. O abastecimento era muito bom: 12 postos de água, 2 de isotônico e 2 de gel. Levei somente mais 2 sachês carbgel, 1 sachê de sal e 1 banana.
O tempo colaborou bastante, parcialmente nublado, com algumas aberturas de sol, uns 22 graus. A umidade alta aí não tem jeito, é característica do Rio.
Não sei se foi ansiedade, alguma virose ou algo que eu comi na véspera, mas naquela manhã fui três vezes ao banheiro. Percebi que a corrida iria ser "longa" e difícil.

Do Recreio à Barra: trânsito e tédio

Larguei para a maratona junto com cerca de 2500 atletas (somando as três provas, maratona, meia e family 6k, dava um total de 15000 participantes).
Os 3 primeiros kms foram bem congestionados, pois havia somente uma faixa disponível e não cabia todos os atletas.
Após fazer o retorno na praia da Macumba, voltamos ao Recreio e começamos um trecho longo, de mais de 10 kms, pela reserva ecológica. Mato à esquerda, praia deserta à direita. Lembra muito a meia da Praia Grande, porém sem as casas, os prédios e as pessoas. Um tédio. Apesar de ser o trecho mais fácil, muitos quebram, pois vendo que é fácil exageram o ritmo e depois acabam pagando o preço mais tarde. Nesse trecho, encontrei várias colegas da equipe, a Maria José, a Sadako, a Margarete e a Maria Alves.
Chegava então na Barra da Tijuca, concluindo a primeira metade da prova.

Da Barra ao Leblon: belezas e subidas

O segundo trecho da maratona (e o primeiro da meia) é para mim o mais bonito e também o mais técnico da prova. Nele, o sol dá uma trégua, pois corremos em túneis e atrás de montanhas, porém é também nele que estão as subidas, leves e longas.
Saindo da Barra, temos a ponte da Joatinga, a primeira subida da prova. Depois do túnel do Joá, passamos por baixo do elevado das Bandeiras, onde é possível ver o mar e ouvir o eco do barulho das ondas.
O elevado acaba em São Conrado (largada da meia internacional da Yescom), que nos encaminha à avenida Niemeyer. O esforço da subida é compensado pela beleza do lugar, dava para ver as águas azuis do mar batendo no paredão de pedra.
Chegava então ao final da Niemeyer e ao Leblon, no famoso muro, hora da verdade, onde começa a maratona, ou simplesmente km 30.

Do Leblon ao Flamengo: apoio e superação

O trecho final da maratona é onde o público participa mais, pois são as praias mais movimentadas do Rio. É também onde o atleta mais sofre, pois não há sombra.
Encontrei a Adesilde em Ipanema, e segui no meu ritmo até que no km seguinte a cólica voltou a me atacar, meu ritmo caiu muito e no próximo km ela atacou novamente, de forma que era impossível continuar sem que eu parasse no banheiro.
Após fazer um pit-stop, voltei um km depois no meu ritmo normal. A Margarete estava 50 m na minha frente, e mais 50 m estava a Maria Alves. Assim como o Tavares, decidi fazer uma prova de recuperação, ainda que, após correr 36 km, 50 m fazem parecer 500. Consegui passar a Margarete ainda em Copacabana. Já no Botafogo, a Maria (puxada pelo Andre) e a Adesilde. Após essa quebra, voltei no ritmo normal, e passei a ouvir o Andre conversando no rádio com o Tavares, quando olhei eles estavam uns 20 metros atrás de mim, quase me passando. No Flamengo, quebrei o ritmo de novo e fechei a prova na frente, em 4 horas e 4 minutos. Graças a minha hidratação e alimentação, não tive desidratação, não tive cãibras e a minha perda de sal foi mínima. Terminei sobrando, embora não tivesse feito meu melhor tempo, em termos de desempenho, foi a minha melhor prova.

Finalizando

Gostaria de dar os parabéns a todos, em especial a 3 guerreiras: a Adesilde pela façanha e loucura de completar a prova mesmo sem treinar, a Margarete pela sua primeira maratona, a Maria José pela sua quinta maratona no ano.
E gostaria de convidar a todos a participar do evento no ano que vem. A distância (42 km, 21 km ou 6 km) não importa, é no final de junho e maravilhoso do mesmo jeito, uma das melhores provas do Brasil. Vale a pena, até lá.


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