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Como me tornei um maratonista
30/11/2008

por Cássio Motomura

O início

Um grupo de pessoas muito diferentes, que compartilham alegria, amizade e prazer em correr, e que me receberam de braços abertos. Foi o que encontrei em março, quando conheci a equipe Tavares. Após cinco anos participando de corridas, entre elas dez meias-maratonas, tinha como objetivo correr a primeira maratona. Para isso, estabeleci como condição fazer uma meia em menos de duas horas, e foi com esse pensamento que dias depois estava na Meia de SP, e um mês depois na Meia da Corpore. Em ambas não corri bem, sendo que na segunda abandonei no km 18 com dores nas costas. Em maio corri a Corpore 25k, essa fui bem, depois de dois anos consegui fazer o “split negativo” (segunda metade mais forte que a primeira), não fui ultrapassado por ninguém na segunda volta e fechei a prova com um tiro de 400m. Em junho participei da Maratona de SP, não corri, fui apoio, distribuindo bananas no km 35, isso havia me ajudado na prova anterior e achei legal repassar essa ajuda aos colegas. E finalmente no dia 29, consegui correr uma meia abaixo das duas horas, após imprimir um ritmo forte na segunda metade da prova, foi na meia da Maratona do Rio. Recomendo fazer essa prova, pois em relação à Meia do Rio de setembro, a largada é mais cedo (7:30) portanto menos calor, são menos pessoas (em torno de duas mil), a chegada também é no Flamengo, mas sem aquele retorno desanimador de 6 km. Ao final conversei com o Tavares e decidimos: iria treinar para a Maratona de Curitiba.

Os treinos

Agosto foi um mês de ótimos resultados e de muito sacrifício. Baixei minhas marcas nos 10 km na Unicsul, e na meia em São Bernardo. Em compensação, foi quando fiz a transição para o treino de maratona. Meus treinos de tiros dobraram, fazia 15x400m, 10x1000m, era o primeiro a começar e o último a terminar o treino. Várias vezes, chegava à exaustão, mas sabia que tudo isso era necessário para o que estava disposto a fazer. Setembro e outubro foram os meses de tiros longos (2 a 3 km) e dos longões mais longos (25 a 30 km). Novembro foi mês de descanso, com menos treinos, aproveitei para fazer musculação, não queria que o que aconteceu na meia da Corpore se repetisse. Também tive ótimos resultados nesse mês, baixei novamente meu tempo nos 10km (mesmo fazendo um longão no dia anterior) e refiz a avaliação física, onde pude comprovar a melhora que tive desde que comecei a treinar na equipe Tavares.
* Redução de peso: de 61kg para 54 kg
* Redução de gordura: de 21% para 13%
* Fortalecimento abdominal (repetições em 1 min): de 28 para 41
* Aumento do índice VO2: de 51 para 60
* Melhor tempo nos 10 km: de 52:45 para 46:30
* Melhor tempo nos 21 km: de 2:06:00 para 1:50:00
Após quatro meses de resultados e sacrifício, estava pronto para correr a minha primeira maratona.

Antes da prova

A maratona de Curitiba é ótima para os atletas. A prova oferece transporte gratuito da rodoviária e do aeroporto e passeio turístico. Na prova, água a cada 3 km, dois postos de isotônico, um de frutas, dois de esponjas, segurança, voluntários educados e prestativos, e apoio do público em grande parte do percurso. Para este ano, foi retirado um trecho que tinha uma reta de 5 km que ia e voltava, em compensação aumentaram as subidas, leves e curtas, mas constantes em todo o percurso. Meu sentimento para a prova era de tranqüilidade, pois qualquer tempo que fizesse seria meu melhor tempo. Era também de incerteza, pois nunca tinha feito uma maratona e não sabia que ritmo iria fazer. Na véspera, fiz o de sempre, ingeri muito carboidrato, líquido e isotônico. Também fui conhecer a cidade, peguei o ônibus turístico e conheci os principais pontos de Curitiba. O parque Tingui me chamou a atenção, pois o ônibus passava do lado das capivaras, que andavam livremente pelo parque. No dia seguinte,...

A prova

Larguei para a maratona no Centro Cívico, onde ficam os prédios do governo do Paraná. Passei pelo Museu Oscar Niemeyer (o grande olho) no km 5. No km 11, japonesas de kimono distribuíam água junto com os escoteiros na Praça do Japão. Dois quilômetros de descida até a Fonte Jerusalém, onde uma banda animava a festa. Dois quilômetros de subida, nela encontrei um parceiro, importante para manter o ritmo e não desanimar, e depois um trecho longo sinuoso até a metade do percurso, onde havia os primeiros postos de isotônico e esponjas. Estava rápido, fiz a meia em 1:54:00. Após 15 km deixei meu parceiro para trás no km 28, passei pela Arena da Baixada (estádio do Atlético PR), passei pelo posto de frutas e me preparava para vencer a barreira dos 30 km. No km 32, peguei duas subidas seguidas, até então estava bem, mas depois percebi que algo não estava legal, tinha muita dificuldade para manter o ritmo. Consegui ainda me manter por mais 4 km, passei pelo segundo posto de isotônico/esponjas no km 34, em frente ao Teatro Paiol, até quebrar no km 36. Comecei a trotar, caso contrário não completaria a prova, mas em nenhum momento parei de correr. Subi o viaduto Capanema no km 38 num esforço desumano, a cabeça estava boa, mas o corpo já era. No km 40, tive princípio de cãibra nas duas pernas, por sorte, o último posto de água estava bem à minha frente, joguei meio copo de água gelada em cada coxa e segui em frente. Após passar pelo Passeio Público e pegar a última subida no km 41, estava na reta de chegada. Embalei na descida, recuperei meu ritmo, passei pelo hotel, pela arquibancada (isso mesmo), pela linha de chegada e... EU SOU UM MARATONISTA! Após quase quatro horas correndo, comemoração, medalha (lá é diferente, eles entregam no seu pescoço), frutas, água, isotônico, massagem (muito bem-vinda), suco e lanche. Tempo: 3:58:30.

Dicas
Para o treino:
* Planeje-se para treinar de quatro a seis meses.
* Siga a planilha, se tiver que priorizar algo, que sejam os treinos longos.
* Faça musculação, isso aumenta a velocidade, a resistência e previne lesões.
Antes da prova:
* Faça ingestão de carboidratos (massas e batata são boas fontes)
* Faça ingestão de líquidos e sais minerais (ex: duas medidas de água e uma de isotônico tomando durante o dia inteiro)
* Distraia-se, se estiver fora de São Paulo, passeie.
Na prova:
* Administre seu ritmo, km a km.
* Evite correr sozinho, correndo em dupla, um vai puxando e animando o outro.
* Mantenha-se hidratado e alimentado, utilize a estrutura da prova e leve algo a mais se necessário.
* Administre as cãibras se elas aparecerem, muito comum após o km 30.
* Se estiver no km 30, não pense que faltam 12 km, pense em chegar ao km 31, e só depois preocupe-se com o km 32.
* O sucesso numa maratona está muito mais no psicológico do que no físico, mantenha sua mente ocupada, administre a prova, converse, cante, vibre, e não deixe ser vencido pela monotonia.

Agradecimentos

Agradeço à EQUIPE TAVARES por acreditar desde o início no meu objetivo, e por dar todo o suporte necessário nos treinos e na viagem para a maratona de Curitiba. Espero que essa maratona não seja a única. Para 2009, não faltam opções: Porto Alegre, Rio, São Paulo, Curitiba de novo. Que mais histórias de sucesso venham por aí.


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