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A Maratona Beto Carrero transformou a corrida dos sonhos em realidade
09/07/2008

Por Nádia Ilvana

O ousado projeto de realizar uma corrida de revezamento dentro do parque temático de Beto Carrero, seguindo os moldes da maratona da Disney, foi um sucesso. O parque, localizado na cidade de Penha, no litoral de Santa Catarina, recebeu mais de 900 corredores, divididos em equipes de 2,4 e 8 pessoas, que tiveram liberdade para montar uma estratégia e enfrentar os 42.195 metros da Maratona.

E eu estava lá para representar a equipe Tavares. O percurso foi bem diferente e permitia experimentar diversas sensações. Com largada e chegada em frente a terrível e assustadora Big Tower, após a subida no 1 km a gente avistava um lago maravilhoso. Dava até um pique a mais saber que onças estavam sempre por perto. Tínhamos que tomar cuidado com os patos soltos durante o trajeto e tentar não desviar a atenção ao avistar um dromedário ou uma ema na nossa frente, coisa que nas corridas de São Paulo a gente não vai encontrar de jeito nenhum.

A organização da prova foi perfeita. O kit dava direito a camiseta Adidas, boné do Beto Carrero, toalha e ingresso para todos os brinquedos do parque. Lógico que não perdi a super montanha russa com 2 loopings seguidos. A arena do evento também oferecia serviços de massagem, pufs e almofadas para descanso, Gatorade à vontade e havia ainda uma tenda com frutas frescas e sucos naturais feitos na hora, de sabores diversos e diferentes como melancia com tangerina, uva com banana - não sei o segredo, mas esses sucos foram uma atração à parte de tão gostosos.

Entre um atleta e outro, que trocava o bastão no corredor do revezamento, a gente podia dar muitas risadas com os personagens do parque. Não era o Mickey nem o Pateta, mas eles eram muito mais engraçados. Ver a travesti Kerry agarrar e beijar os maratonistas distraídos foi bem engraçado. O caipira Zé Galinha, correndo desengonçado entre os atletas foi muito divertido também. Billy The Kid de vez em quando ameaçava atirar em alguém, obrigando a galera a correr mais rápido ainda. E para a alegria dos rapazes as Marias Briteiras do Beto Carrero também ficaram desfilando pela arena com micro-shorts e seios siliconados quase à mostra.

Foram premiados os 3 primeiros de cada tipo de equipe: geral, duplas mistas, octeto feminino, quarteto masculino, enfim... foi distribuído muito troféu. A equipe campeã foi o quarteto masculino Companhia da Corrida, de Joinville, que terminou a maratona com o tempo de 2h19s50.

Eu fiz a maratona com meu colega André e formamos a dupla Nádia Papa-léguas e Príncipe Ligeirinho. Terminamos a maratona com o tempo de 3h28s03, sendo que nossa estratégia foi cada um correr 4 voltas de 5250 metros intercaladas. Era um tiro de 5000 e um descanso, nisso deu para recuperar energia e terminamos em 9º lugar entre duplas mistas.

Legal foi ter a camisa amarela reconhecida lá em Santa Catarina. Primeiro por um casal de São Paulo que conhece a equipe Tavares e também por várias outras pessoas que disseram conhecer a equipe. Conversamos com a Fabiana Besen, de Florianópolis, que sempre ajuda na organização das provas Catarinenses, como Montain Do, e eles estão sempre de olho nas corridas de São Paulo, em nossa estrutura e em nossas equipes. A equipe Tavares é conhecida pelos destaques e resultados, por sempre estar presente e por ser uma das maiores equipes de corrida do pais. Nosso nome está famoso. “É nóis” !

Essa aventura de correr a Maratona Beto Carrero foi cansativa, mas valeu a pena. Saímos de São Paulo na sexta-feira as 10 da noite e chegamos em Piçarras, cidade vizinha a Penha, as 7h20 da manhã do sábado. Detalhe, a corrida era no próprio sábado e começaria dali a 40 minutos. Pegamos um táxi até o Parque, nos trocamos e no final deu tempo certinho para a largada. Correr revezando volta a volta pode ser mais rápido que correr 21 km direto, mas também achei mais cansativo, pois a corrida só termina quando os dois completam os 42 km, até lá não há descanso. Mas como estratégia, deu muito certo. Ainda assim sobrou energia para brincar no Parque e percorrer 5 lindas praias no domingo.

Porém, preciso contar para vocês que o melhor dessa viagem não sei se foi a corrida, o parque, ou as praias catarinenses ou se foi ter tido a oportunidade de conhecer o casal Andrea Diniz e José Henrique. Eles não são casados nem namorados, são apenas grandes amigos apaixonados por corrida e juntos formaram a equipe Anjo, An de Andrea e Jo de José, nome mais adequado impossível.

Andrea e José moram no Recife, são pessoas muito simples e, para realizar o sonho de correr a Maratona Beto Carrero, venderam mais de 5000 picolés na praia. Andrea conta que quando viu a revista com a propaganda da corrida, com uma atleta correndo na frente do castelo, ela só pensava que precisava participar, pois sabia que seria encantador.

José, seu fiel companheiro de treinos, caminhava 50 kilometros por dia vendendo os picolés para realizar esse sonho. E conseguiram. Treinaram duro pois treinar no Recife, principalmente para mulher, não é fácil. Todo dia José tem que passar na casa de Andrea para busca-la e os dois treinarem juntos, pois se mulher anda sozinha na rua, logo de manhã, bem no horário de treino, é alvo fácil de estupros, algo que está se tornando comum na cidade deles.

E ver como eles estavam felizes com essa realização foi de nos encher de alegria, de garra e disposição também. Eles estava transpirando energia boa e nos contagiou. São pessoas felizes e maravilhosas, apesar da vida difícil que tem, um exemplo de vida, de amizade pura e sem interesses, exemplo de vitória e nos faz acreditar que as pessoas podem ser muito mais e melhores do que elas acham que são. O sonho deles agora é participar da São Silvestre.

Para mim eles foram os grandes campeões da Maratona Beto Carrero.


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