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CORRENDO DE NOVA YORK A JAÚ
20/08/2007

1ª Parte: MEIA MARATONA DE NOVA YORK - UMA BOA OPÇÃO

Por Marcelo Jacoto

Foi realizada no último dia 05 de agosto mais uma edição da New York City Half Marathon, a segunda sob o patrocínio da Nike, com mais de 10 mil concluintes. Vale destacar que a participação da tradicional fabricante de tênis e materiais esportivos visa transformar mais uma prova do tradicional clube de corredores de Nova York (New York Road Runners Club) em uma corrida internacional de grande porte. Para os corredores locais, esta meia maratona soma pontos para o ranking e qualifica para a Maratona de NY; para os estrangeiros, a participação só é possível por meio de agências de turismo autorizadas ou por meio de entidades beneficentes.

Atraído por um percurso totalmente diferente daquele que caracteriza a Maratona de NY, resolvi, juntamente com mais 38 brasileiros, percorrer as ruas e avenidas de Manhattan correndo. Cheguei à Big Apple no dia 03 de agosto e, como teria que aguardar mais de cinco horas para obter a liberação do quarto do hotel, fui diretamente para a Niketown, mega loja da patrocinadora, e local de retirada dos kits de participação. A movimentação no segundo dia de retirada do chip foi tranqüila e tímida no começo do dia. A organização inovou ao recepcionar os participantes com uma autêntica e original “feira” de corrida: exposição de seus produtos (tênis, camisetas, bonés, jaquetas, dentre outros artigos esportivos) em meio a cartazes e caixotes com frutas, iguais aos das feiras em que encontramos legumes, frutas e verduras. Entretanto, os produtos expostos se limitaram a uma única marca esportiva (adivinhem qual), com destaque para o lançamento do “nike+”. Além disso, os visitantes foram presenteados com protetores solares e pulseiras com marcação de tempo impressa na hora e puderam conferir o estande de outros patrocinadores. Havia também a possibilidade de se encomendar antecipadamente um quadro de medalha com diploma de certificação do tempo na meia maratona, bem como conferir a presença de atletas de ponta, tais como o etíope Haile Gebrselassie (último campeão da Maratona de Berlim), o sul africano Hendrick Ramaala (campeão da Maratona de NY 2004 e vice em 2005) e a queniana Catherine Ndereba (duas vezes campeã da Maratona de Chicago, quatro vezes campeã da Maratona de Boston e campeã da Meia de NY 2006), que compareceram em dias e horários distintos para um rápido bate-papo e sessão de fotos e autógrafos. No kit, recebemos chip, número de peito, camiseta de algodão, isotônico em pó, pipoca de microondas e sacola para guardar os pertences no dia da prova. Após um rápido passeio pelos cinco andares da loja da NIke, eu e meu colega de corrida, João Carlos Gutheil, resolvemos ir até a sede do NY Road Runners, a fim de descolar algum produto do clube, bem como conhecer o espaço dedicado a Fred Lebow, o mentor/fundador da Maratona de NY. Foi uma bela caminhada de mais de 30 quadras sob um calor de quase 30°. Enfim, nada melhor para “esticar” as pernas após 9 horas e 15 minutos de vôo!

No sábado, véspera da prova, o ponto de encontro dos atletas foi o jantar de massas no B.B. King Blues Club & Gril”, tradicional bar, restaurante e casa de shows do lendário bluesman, localizado ao lado da Time Square, no número 237 da rua 42, entre a sétima e oitava avenidas. Diante das limitações das dependências do bar, o New York Road Runners optou por dividir o jantar em dois horários (seis e sete horas da noite) e eu acabei ficando com a segunda opção. Chegando por lá, encontrei vários brasileiros que também viajaram pelo grupo da Kamel Turismo. Entretanto, me decepcionei ao não vislumbrar qualquer tipo de integração entre os presentes. Havia poucos corredores no local e, diferentemente do animado e farto jantar de massas da Maratona de NY, não havia integração entre as mesas do lugar, frustrando qualquer possibilidade de se realizar novas amizades. O buffet oferecido também foi muito simples (dois tipos de salada, dois tipos de massa, cookies e bolo de chocolate para sobremesa, além de água e dois tipos de sabor de gatorade). Pra fechar com chave de ouro, nosso grupo foi avisado às 20 horas (uma hora depois da entrada) de que o local seria utilizado para uma apresentação musical, e que para continuar no recinto, deveríamos pagar ingresso. “Os 35 dólares mais mal pagos da minha vida!” foi o que pensei ao sair do pub do dono da guitarra Lucille.

Volta pra casa, descanso necessário para enfrentar os 21.095 metros (ou 13,1 milhas, como preferem os norte-americanos). A largada seria dada às 7 horas da manhã do dia seguinte, e todos deveriam estar presentes impreterivelmente até as 6h15. A largada no Central Park estava divida em dois grupos: os inscritos com número de peito até 7.999 entrariam no parque pela rua 90 com a quinta avenida, e os de numeração entre 8.000 e 13.999 teriam acesso entre as ruas 96 e 97 com a quinta avenida. Os caminhões com os guarda-volumes também ficariam estacionados na quinta avenida, entre as ruas 90 e 96. O tempo-limite para conclusão era muito tranqüilo: três horas.

Ainda na madrugada de domingo, eu e João resolvemos não arriscar e tomamos um táxi até o local da largada. Fomos recepcionados com água e muita simpatia dos voluntários dos guarda-volumes. Os banheiros instalados dentro do Central Park também estavam impecáveis. As baias de largada eram separadas de acordo com a numeração de inscrição. Como a prova estava com pouco mais de 10 mil inscritos, não havia aperto ou empurra-empurra. A decepção pelo baixíssimo número de participantes estrangeiros foi amenizada cinco minutos antes da largada, quando avistei uma corredora com uma camiseta de uma corrida de SP. Ela, residente em NY, me disse que sempre que possível participa de provas paulistanas quando vem ao Brasil, e que estava treinando para a Meia Maratona de Budapeste. Após a execução do hino dos EUA, e sem qualquer outra música (cadê a animação a que estamos acostumados em provas daqui do Brasil?), foi dada a largada: iríamos percorrer quase 13 km (ou 8 milhas) dentro do Central Park, com direito a uma volta inteira de quase 10 km de extensão, começando pelo lado leste da quinta avenida, mesmo ponto da 24ª milha da Maratona de NY. A temperatura era quente (quase 30° C), com o refresco da sombra das árvores. A altimetria apresentou-se muito variável dentro do parque: subidas e descidas pouco íngremes, mas constantes.

De imediato, pude perceber que o uso de ipods é uma febre entre os corredores norte-americanos. Na segunda milha surgiu o primeiro posto de hidratação, com água e isotônico em copos de papelão. Após passarmos pela altura da rua 59, estávamos seguindo, via Central Park, rumo ao norte de Manhattan, pelo lado oeste, até o fim do parque, na rua 110, quase no Harlem. Durante todo o percurso, uma presença considerável de público, sendo que muitas pessoas portavam cartazes para incentivar parentes e amigos. No quinto quilômetro surgiu o primeiro tapete para registro das parciais (também localizado nos kms 10 e 15, além da chegada). Após ser cumprimentado por um colega brasileiro que me ultrapassava, conversei com um senhor que me disse que já havia morado no Brasil e que as mulheres brasileiras eram tão lindas que ele chegou a namorar duas ao mesmo tempo, uma carioca e uma mineira! (risos) Antes da sexta milha, passamos novamente pela local da largada. Faltava pouco para sairmos do Central Park e ganharmos as ruas de Nova York!

E o fim das insistentes subidas e descidas veio na metade da sétima milha, com uma empolgante ladeira pela sétima avenida rumo à Time Square. A partir de agora teríamos mais público e muitas bandas pelo percurso, além de lojas e famosos pontos turísticos, como a casa de espetáculos Carnegie Hall, na rua 57. Logo após, a banda The Mondays seria a primeira das treze atrações musicais prometidas pela organização. Exatamente na Time Square (conhecida pelos seus letreiros, telões e painéis de publicidade gigantes) ganhamos um sachê de carboidrato em gel, viramos à direita e seguimos pela rua 42. Após passarmos pelo 12ª avenida e avistarmos o “Samba New York!” (um grupo carnavalesco com muitas mulatas e capoeiristas com as cores do Brasil), seguimos pela West Side Highway, avenida que marca as últimas três milhas da prova (4,8 kms), beirando o rio Hudson. A partir de então, os fartos postos de hidratação marcam presença em todas as milhas finais. Entre um posto e outro, troco palavras com Jaime, um colega oriundo do Peru (mas também radicado em NY), correndo com as cores de seu país. DJs comandam a trilha sonora dos quilômetros finais. Apesar do calor, o percurso totalmente plano da última milha e a vista do Battery Park (local da chegada), incentiva o sprint final. Hora de sorrir e levantar os braços: a meia maratona chega ao fim. Encontro vários colegas brasileiros satisfeitos: todos haviam conseguido baixar suas marcas pessoais.

A chegada é tranqüila. Somos recebidos com toalha úmida, isotônico, água, kit com frutas e salgadinho. O Battery Park, próximo à Estátua da Liberdade, concentra o ponto de encontro dos familiares, os banheiros químicos, os guarda volumes, os deliciosos e gelados smoothies da Jamba Juice, dois palcos com bandas e o podium, onde seriam premiados Haile Gebrselassie (campeão com 59min24s), Abdi Abdirahman (1h29s) e Robert Cheruiyot (1h58s), além de Hilda Kibet (1h1032s), Catherine Ndereba (1h1033s) e Nina Rillstone (1h1035s), que protagonizaram uma emocionante e equilibrada chegada no feminino.

Missão cumprida, todos saímos com a impressão de que a Meia Maratona de NY é uma prova muito bem organizada (principalmente pela farta distribuição de postos de hidratação e bandas ao longo do percurso, além da tranqüila largada), e uma ótima opção para quem quer correr em NY, ou mesmo debutar em alguma prova estrangeira, mas ainda não possui condições para encarar uma maratona. Além disso, só esta corrida pode proporcionar um percurso por toda extensão de Manhattan, numa época mais quente do ano, o que certamente deve potencializar o crescimento desta corrida nos próximos anos.

Porém, por ser apenas a segunda edição com ambições internacionais, a Meia Maratona de Nova York ainda engatinha se comparada à sua irmã mais velha e tradicional, a Maratona de NY, vez que possui um número bem inferior de corredores (pouco mais de 10 mil) e baixíssima participação de estrangeiros na prova e no jantar de massas.

2ª Parte: PRÓXIMO DESTINO: JAÚ

Após mais três dias em Nova York, com direito a muitas caminhadas (que eu tenho certeza que somaram muito mais que os 21 quilômetros corridos na meia, hehehehe), retornei à SP na quarta-feira, dia 08 de agosto, a fim de retomar a rotina e desarrumar as malas... Desarrumar as malas? Nada disso!

Atendendo a um pedido de Betão Sangerotti, colega corredor, locutor e organizador de provas e eventos, mantive o tênis, o boné e a camiseta dry fit na mochila e me preparei para pegar a estrada novamente. Destino: Jaú. Motivo: Participar da corrida de aniversário da cidade, no dia 12 de agosto, mesmo dia em que a Corpore realizou a charmosa Corrida do Centro Histórico de SP.

Comprei briga com a família (por conta da ausência no dia dos pais) e com a namorada e fui para o interior de SP para percorrer apenas 10 km em razão dos insistentes pedidos de Betão e da possibilidade de reencontrar amigos corredores de Brasília que não via há muito tempo.

Felizmente, a escolha valeu a pena, haja vista que, além da Corrida de Jaú ter suas inscrições gratuitas, eu e meus colegas de Brasília fomos muito bem recebidos por todos e pudemos usufruir uma organização impecável dedicada aos 350 atletas (número limitado de inscritos). A largada (também local da chegada) foi realizada ao lado do ginásio municipal, às 10h10 da manhã e sob forte sol, e o percurso abrangeu diversas ruas do centro da cidade, em um total de duas voltas de 5 km, com uma bela “piranbeira” de 400 metros após o 3° e 8° quilômetros.

Todos receberam água em saquinho, além de boné, camiseta de algodão, medalha de participação, frutas, adesivo da corrida e mudas de planta. Como não houve a utilização de chip para cronometragem do tempo, a organização usou marcação especial pelo percurso, além de controle individual no funil da chegada. Sob o patrocínio da Caixa Econômica Federal, foi realizada premiação para todas as faixas etárias. O destaque ficou para a forte presença da elite no feminino, com muitas atletas de Catanduva, e a sempre experiente atleta de Sertãozinho, Maria Zeferina Baldaia, que arrebatou o primeiro lugar com 35 minutos e 17 segundos. No masculino, Marcelo Cabrini, de Araraquara, faturou o primeiro lugar com 30 minutos e 23 segundos.

Ao final da prova, eu e meus amigos tivemos a oportunidade de tirar fotos ao lado da humilde Baldaia (que atendeu a todos com muita paciência e simpatia), bem como de constatar a atenção e a seriedade de Betão Sangerotti, que juntamente com a Secretaria de Esportes de Jaú, realizou um belíssimo trabalho em prol das corridas de rua.


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