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Minha experiencia na Maratona de Porto Alegre
17/06/2007

Por Jean François Henry

Eu comecei a correr há mais ou menos 1 ano e meio. No começo a corrida era só um aquecimento para a musculação. Mas á medida que o tempo passava, percebi que conseguia correr cada vez mais e sem estar muito cansado e ainda peguei gosto pela coisa, deixando a musculação em segundo plano.

Eu acho que para quem corre, a maratona é aquela prova que mais fascina, é o objetivo último. Pelo menos para mim, eu sempre vi a maratona assim. Quando comecei a correr eu achava que nunca iria conseguir correr 42,195 kms de uma só vez. Esse fato era só reservado á aqueles super atletas.
A medida que completava provas menores comecei a mudar de idéia. E me decidi a correr a maratona logo depois da prova de Gonzaguinha onde após os 15 kms da prova ( nunca tinha feito uma corrida tão grande), eu estava me sentindo muito bem e poderia até ter corrido mais.
E foi então no começo de 2007 que me decidi a correr uma maratona, fazendo antes algumas meia-maratonas para ver se eu aguentava mesmo.
Sendo novato no mundo da corrida, procurei me informar sobre as maratonas no Brasil e logo escolhi a maratona de Porto Alegre por várias razões que eram bem explicadas nas revistas :
1) o clima da cidade : pelo jeito é o clima que mais influencia a performance do atleta nesse tipo de prova. E Porto Alegre nessa época do ano, apresenta uma temperatura em volta do 10-15 graus, o que é perfeito parar correr.
2) O percurso : o percurso é todo plano e passa por toda a cidade. Nem precisa falar que quanto mais plano melhor,né?

E por razão pessoal, achei que correr em Porto Alegre me daria a oportunidade de conhecer uma cidade que não conheço e onde tenho uma amiga que nunca vejo e que poderia me hospedar.

Tudo perfeito- Já vi que minha viagem ia ser boa, antes de embarcar. Por algum milagre inexplicável, meu vôo sexta á tarde pela Gol estava sem atrasos! E sem fila nenhuma! Sem falar que a tão esperada vaga de frio que devia chegar no fim-de-semana não se concretizou. Na véspera quando fui retirar o chip já pude perceber duas coisas : a organização era muito boa, sem nenhuma fila e com bastante voluntários. Mas ao mesmo tempo, nada na cidade indicava que ia ter uma maratona no dia seguinte. E várias pessoas, amigas de minha amiga, nem sabiam que ia ter uma maratona no dia seguinte.

A prova – A largada masculina foi dada ás 8 horas em ponto. Infelizmente, não havia aquele sol lindo mas gelado da véspera. Mas bom, tentei me concentrar ao máximo no meu desempenho (acho que nunca olhei tanto meu relógio pra ver meu tempo/batimentos cardíacos). Eu não tinha um grande objetivo de tempo nessa minha primeira maratona, o que eu queria era terminar a prova mesmo. Acho que foi por isso que corri tão descontraído, quase como se fosse um passei. E o mais legal é que os 20 primeiros km passam por uns 10 bairros diferentes da cidade. Então ao mesmo tempo que prestava atenção na corrida, eu olhava pros lados, descobrindo a arquitetura da cidade.

E fui indo até a famosa marca dos 30 kms, que era, até esse dia, a maior distância que eu já havia corrido. E finalmente cheguei aos 30 kms. Foi aí que comecei a me perguntar : mas cadê a famosa barreira/ o muro dos 30 kms que tanto tinha ouvido falar? Não sei se era o tempo, o meu preparo, o fato de eu ter corrido sempre no mesmo ritmo sem forçar, mas eu não me sentia muito mais cansado ou com dores muito mais fortes do que nos treinos de 30 kms.
A partir do km 35 eu comecei a sentir a empolgação a cada km que passava. Parece que cada vez que eu via a placa do km seguinte algo me puxava eu eu acelerava um pouco até passar a tal placa. E depois diminuia de novo.
No últimos 2 kms eu fiquei imaginando como eu poderia comemorar minha chegada. Eu ia chorar?rir? Fazer aviãozinho? Só sei que pouco tempo depois eu vi a linha de chegada e cruzando ela eu não fiz nada! Na verdade, eu olhei pro meu tempo (3:54) e sorri. Não foi tão emocionante como eu pensei mas acho que eu sei o porquê : Eu estava esgotado. Era isso o que estava sentindo : parecia que eu era um copo cheio quando tinha largado e que agora na chegada não sobrava nada. Eu simplesmente estava acabado mas feliz. Feliz do dever acomprido. Talvez se a família toda, os amigos e a equipe de corrida estivessem me esperando eu teria me emocionado mais. Devo dizer ainda que recebi a medalha mas bonita que eu já ganhei, tão grande que parece até um medalhão.
Para finalizar, eu queria deixar meu incentivoá grande maioria da equipe que vai correr a maratona de São Paulo e dizer que o grande segredo para completar bem a prova é escutar os conselhos de que conhece bem o assunto : os treinadores, aqueles que já correram outras maratonas, etc. E sempre volta a mesma mensagem : conheça os teus limites, treine bem, descanse muito bem e depois é só comemorar numa boa churrascaria gaúcha tchê!


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